Notícias
Campus Ouro Preto inaugura Banco Vermelho em ação de enfrentamento à violência contra a mulher
O Campus Ouro Preto inaugurou, nesta quarta-feira (2), o Banco Vermelho, iniciativa que busca ampliar a conscientização sobre o feminicídio e as diferentes formas de violência contra a mulher. Instalado próximo à Coordenação de Gestão de Pessoas, o banco passa a integrar o espaço cotidiano do campus como um marco de memória, reflexão e mobilização.
A cerimônia contou com a participação do diretor-geral do campus, Reginato Fernandes; da professora Elke Pena, representando o Núcleo de Estudos de Gênero e Diversidade (NEGED) Ouro Preto; da professora Venúncia Emília Coelho, diretora de Pesquisa, Inovação e Pós-Graduação (DPIPG); e da pró-reitora de Gestão com Pessoas, Heloísa Cristina Pereira, que representou o reitor do IFMG, Rafael Bastos.
A instalação integra um movimento internacional de enfrentamento à violência de gênero. Criado na Itália, em 2016, o Banco Vermelho utiliza a cor como símbolo do sangue das vítimas de feminicídio e dos lugares vazios deixados por mulheres assassinadas. No Brasil, a iniciativa foi instituída pela Lei Federal nº 14.942/2024, que prevê a instalação dos assentos em espaços públicos como instrumento de mobilização social.
Os bancos podem apresentar mensagens sobre as diferentes formas de violência previstas na Lei Maria da Penha, além de informações sobre canais de denúncia, como o Ligue 180. A proposta é levar a reflexão para espaços de convivência e estimular a comunidade a reconhecer e enfrentar situações de violência.
Educação como instrumento de transformação
Durante a inauguração, o diretor-geral Reginato Fernandes destacou a transformação do perfil da comunidade do campus ao longo de sua história, que teve origem em um contexto predominantemente masculino. Atualmente, a instituição conta com aproximadamente 50% de mulheres entre estudantes, servidores e funcionários terceirizados. Para o diretor-geral, a mudança quantitativa precisa ser acompanhada por transformações nas relações e na cultura institucional. Nesse sentido, ressaltou o papel da educação.“A gente sabe que precisa trabalhar muito a parte qualitativa, e não tenho dúvidas de que a grande ferramenta é este espaço aqui, a escola”.
O diretor também ressaltou a importância de o banco se tornar um espaço de reflexão sobre os avanços e os problemas ainda presentes na sociedade. Destacou, ainda, a necessidade do aprendizado contínuo para que seja possível aprimorar os processos de acolhimento e encaminhamento de denúncias, garantindo respostas mais rápidas às vítimas. Nesse sentido, enalteceu o trabalho do Núcleo de Estudos em Gênero e Diversidade (NEGED), que também cumpre um relevante papel de formação e conscientização da comunidade acadêmica.
Representando o NEGED, a professora Elke Pena resgatou a trajetória de mobilização do campus em torno dos direitos das mulheres e do enfrentamento à violência de gênero. Ela destacou que mulheres que passaram pela instituição antes das gerações atuais contribuíram para ampliar a presença e a participação feminina no campus. Como um dos marcos dessa trajetória, citou a realização, em 2017, da 1ª Jornada Contra a Violência de Gênero, organizada por servidoras e que mobilizou a comunidade.
Para a docente, esse movimento também fortaleceu outras iniciativas posteriores, como o Coletivo BASTA!, criado a partir de uma experiência do Campus Ouro Preto e posteriormente ampliado para outras unidades do IFMG. A mobilização resultou na elaboração de uma minuta apresentada à Reitoria com o objetivo de contribuir para a consolidação de uma política institucional de enfrentamento à violência de gênero, ao assédio sexual e ao assédio moral.
A pró-reitora de Gestão com Pessoas, Heloísa Cristina Pereira, destacou o papel das iniciativas institucionais de enfrentamento à violência e ao assédio. Segundo ela, a política desenvolvida pelo IFMG representa uma forma de resistência e de posicionamento da instituição diante de situações de assédio e discriminação. Heloísa ressaltou ainda que o Banco Vermelho, além de representar um marco simbólico, possui uma função educativa. “Penso que o banco é um símbolo que tem um papel muito importante dentro de uma instituição que recebe jovens que estão em formação”, destacou.
A professora Venúncia Emília Coelho, diretora de Pesquisa, Inovação e Pós-Graduação do campus, também chamou a atenção dos estudantes para o significado da instalação. “Quero pedir aos alunos que estão aqui nos escutando que reflitam sobre o banco, sobre o que está escrito nele, sobre todo o movimento e que a gente possa construir uma história diferente daqui pra frente”, reforçou.
