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Eu faço parte desta história: entrevista com a professora Elisângela Silva Pinto
Na série Eu faço parte desta história, apresentamos hoje a trajetória da professora Elisângela Silva Pinto, que ingressou no Campus Ouro Preto em 14/09/2009. Atuando na Coordenadoria de Física (CODAFIS), ela leciona disciplinas de Física em diversos cursos técnicos integrados e no curso de Licenciatura em Física, no qual ministra diferentes componentes, como Físicas Experimentais, Físicas Teóricas, Projetos para o Ensino de Física e disciplinas optativas, como Introdução a Técnicas de Microscopia.
Ao longo de seus 15 anos na instituição, Elisângela, que é professora titular, também assumiu diversos cargos de gestão, entre eles: Coordenadora de Área (CODAFIS), Coordenadora do curso de Licenciatura em Física, Coordenadora de Extensão e Inovação, Diretora de Inovação, Pesquisa e Extensão, além de Diretora de Inovação, Pesquisa, Extensão e Pós-Graduação. Sua atuação se estendeu ainda à Coordenação Institucional do Prodocência/CAPES. Atualmente, é Coordenadora Institucional de Gestão de Projetos do PIBID (CAPES).
Ao longo de sua caminhada, Elisângela vem conciliando a sala de aula, a gestão acadêmica e a formação de futuros professores, sempre com o propósito de fortalecer a educação pública e de qualidade. Sua história no Campus Ouro Preto, sem dúvidas, reflete compromisso e dedicação.
Confira abaixo a entrevista completa e boa leitura!
Eu faço parte desta história: Elisângela Silva Pinto
Como foi seu primeiro dia no campus? O que mais te marcou quando você entrou pela primeira vez na instituição?
Elisângela: Eu já me dedicava há alguns meses, após finalizar o doutorado, estudando para concursos. Assumir a posição de professora efetiva foi um momento muito importante e emocionante na minha vida. O que mais me marcou foi a forma como fui recebida pelos colegas de trabalho, com empatia, atenção e sempre disponíveis para me auxiliar em qualquer dificuldade.
Também fiquei encantada pelo Campus, com a linda vista para as montanhas de um lado e para a cidade histórica do outro. Já imaginei que seria um local muito agradável para trabalhar!
Além disso, uma grande motivação que tive ao ingressar no IFMG - Campus Ouro Preto foi a abertura do curso de Licenciatura em Física que aconteceu no meu segundo semestre de trabalho.
Tem algum projeto, aula ou período que você considera o mais marcante da sua trajetória aqui?
Elisângela: Difícil selecionar um único momento! Participei da organização de vários eventos no Campus: Semanas de Física, Encontros do PIBID, Semanas de Ciência e Tecnologia. Esses eventos sempre proporcionaram momentos marcantes.
A possibilidade de levar estudantes em grandes eventos científicos também foi muito gratificante. Ver a empolgação e estímulo desses alunos ao apresentarem os seus trabalhos de pesquisa ou ensino desenvolvidos no IFMG.
No ano passado, quando passei pelo processo de avaliação para alcançar a classe de professora titular, precisei relatar toda a minha trajetória no IFMG. Foi um momento de reflexão importante para mim, onde percebi as inúmeras possibilidades de trabalho e crescimento que a instituição me proporcionou ao longo desses 15 anos.
Como é ver o impacto do seu trabalho nos alunos ao longo dos anos?
Elisângela: É muito gratificante, principalmente com os estudantes do curso de Licenciatura em Física. Muitos deles continuaram os estudos na pós-graduação e às vezes retornam ao IFMG para participarem de bancas de TCC ou até mesmo como colegas de trabalho. É emocionante ver nossos egressos se destacando na docência e/ou carreira acadêmica. Também é muito gratificante quando vejo meus ex-alunos dos cursos técnicos integrados se destacando por aí! É muito bom perceber como a vida de muitos deles foi transformada pela educação, como foi a minha!
O que você acha que mudou mais ao longo dos anos na instituição, e como foi participar dessas transformações?
Elisângela: O maior impacto que percebo ao longo desses anos é a diminuição constante dos recursos financeiros e recursos humanos, o que impacta diretamente no dia-a-dia do nosso trabalho.
Nos meus primeiros anos de instituição, que coincide com os primeiros anos da criação da Rede Federal de Educação Profissional, Técnica e Tecnológica, os processos eram novos, a pesquisa e extensão ainda eram incipientes, mas tínhamos recursos financeiros. O desafio era pensar nos novos processos, na gestão dos recursos e como consolidar a pesquisa e os novos cursos superiores em uma estrutura já consolidada de ensino técnico.
Hoje temos escassez de recursos financeiros, o que impacta diretamente toda a estrutura de ensino, pesquisa e extensão. Além disso, perdemos muitas vagas tanto de servidores docentes como técnicos, o que dificulta nossa condição de trabalho.
Então, ao longo desses anos, sinto que a nossa carga horária de trabalho aumentou e as nossas condições de trabalho e de produção diminuíram.
Quais desafios você acredita que a instituição enfrenta e ainda vai enfrentar nos próximos anos?
Elisângela: Temos muitos desafios! O maior deles talvez seja a questão orçamentária. Nosso campus é antigo, com muitos espaços que precisam de reforma. Além disso, sem recursos, não temos como investir em novos projetos.
Com relação ao ensino, precisamos refletir constantemente sobre nossos cursos. Temos uma sociedade em constante transformação e precisamos nos adaptar a ela. A queda na procura pelos cursos superiores é um ponto preocupante, apesar de refletir um cenário nacional, precisa de atenção e cuidado.
O que mais te motiva a continuar fazendo parte desta história no IFMG?
Elisângela: Já tive muitas oportunidades de crescimento dentro do IFMG e sei que a instituição poderá me proporcionar novas oportunidades. O IFMG me possibilita atuar tanto em cursos técnicos integrados quanto no curso de formação de professores de Física, o que é uma experiência muito enriquecedora.
Estudei a vida toda em escola pública. Fiz mestrado e doutorado com bolsas de pesquisa. Recebi muito pela minha formação e por isso ainda tenho muito a contribuir para a sociedade. Na minha formação me apaixonei pela Física e no IFMG pela docência e pela formação de professores. Minha motivação é continuar na luta por uma educação de qualidade.
Além disso, não posso deixar de mencionar as grandes amizades que hoje tenho na instituição.
Que conselhos você daria para os novos servidores que estão começando agora?
Elisângela: Eu diria para não se acomodarem diante da estabilidade ou desanimarem perante os desafios que vão encontrar, que não serão poucos. A educação tem muitos desafios, mas lutar por ela é necessário e gratificante.
Se você pudesse voltar no tempo e dar um conselho para a Elisângela quando ingressou na instituição, qual seria?
Elisângela: Talvez para não ser tão ansiosa e seguir em frente que vai dar tudo certo!
