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Visita guiada conduzida por alunas do campus propõe leitura urbana de Ouro Preto a partir do Caminho-Tronco

publicado: 15/12/2025 21h24, última modificação: 15/12/2025 21h25

Uma atividade de visita guiada desenvolvida pelas estudantes Jéssica Queiroz e Suelen Nascimento, sob coordenação da professora Bárbara Helena Almeida Carmo, do curso de Tecnologia em Conservação e Restauro, integrou a programação do II Seminário Nacional de Direito do Patrimônio Cultural. O evento foi realizado nos dias 6, 7 e 8 de novembro de 2025, no Centro de Artes e Convenções da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).

Intitulada “Um olhar de Ouro Preto através do Caminho-Tronco”, a proposta convidou os participantes a percorrer parte do antigo Caminho-Tronco, via matriz que estruturou o crescimento da antiga Vila Rica e que, há mais de 300 anos, integra o traçado da Estrada Real. O percurso destacou o espaço urbano como documento histórico, revelando marcas do processo de ocupação, das transformações econômicas e dos encontros culturais que moldaram a cidade. Ao longo do trajeto, monumentos, edificações, ruas e memórias foram apresentados como testemunhos vivos da formação urbana da antiga capital da província.

Segundo Suelen Nascimento, a atividade visou a abordagem da formação urbana de Ouro Preto, fazendo a caracterização do caminho em si. A estudante relata que o trajeto incluiu regiões menos percorridas pelo público em geral, como a Rua Alvarenga, mas de grande relevância patrimonial.

Durante o percurso, foram abordadas tipologias arquitetônicas variadas, como chalés, o casario do Bom Será, a Igreja do Bom Jesus, além de chafarizes e cruzeiros. De acordo com Suelen, a proposta buscou evidenciar diferenças em relação ao conjunto arquitetônico mais conhecido do centro histórico. “A ideia era abordar essas diferentes construções, a própria implantação dessas casas, que já são um pouco mais diferentes do conjunto que temos na parte central da Rua São José e da Rua Direita”, conta. A visita também estabeleceu conexões com a dimensão ambiental da cidade, articulando o Caminho-Tronco  e o Horto Botânico. 

Além dos aspectos materiais do patrimônio, a atividade valorizou personagens e memórias da comunidade ouro-pretana. Ao longo do trajeto, foram apresentados comércios tradicionais e figuras locais, como Dona Glorinha, comerciante de vinhos que recebeu o grupo e compartilhou vivências do cotidiano da cidade. “Falamos de personagens como Sinhá Olímpia, passamos perto da casa dela e contamos histórias que pudessem abarcar o imaginário dos personagens ouro-pretanos”, destaca a estudante, ressaltando a importância do patrimônio imaterial na construção da identidade local.

Questões relacionadas às transformações urbanas e às intervenções do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) também fizeram parte da abordagem. Ao final da visita, os participantes receberam um link com fotografias antigas, que permitiram visualizar as mudanças mencionadas ao longo do percurso. Apesar de a chuva ter exigido ajustes no itinerário inicialmente planejado, Suelen avalia positivamente a atividade, que teve boa aceitação entre os participantes.

Sobre o evento

O II Seminário Nacional de Direito do Patrimônio Cultural teve como tema “A Proteção Jurídica do Patrimônio Cultural Inventariado” e se consolidou como um espaço de reflexão qualificada e de troca de experiências sobre os instrumentos de identificação, contextualização e proteção dos bens culturais materiais e imateriais brasileiros. O IFMG – Campus Ouro Preto integrou o comitê organizador do evento com participação da professora Bárbara Helena Almeida Carmo na organização da Chamada de Trabalhos.